Início / Modelos
O Maverick brasileiro teve várias versões bem diferentes, além de adaptações feitas por concessionárias e oficinas. Veja o que muda de um modelo pra outro e como identificar cada um.
O Super é o modelo mais simples da linha, muita gente o chama de "pé-duro". Ele já vinha com motor de 6 ou 8 cilindros desde o começo, e a partir da segunda metade de 1975 passou a vir também com motor de 4 cilindros.
Existia como Cupê e como Sedan (4 portas). O Sedan é cerca de 18 cm mais comprido que o Cupê, com mais espaço dentro e teto mais alto, mas vendeu pouco na época, porque era visto como carro de família ou de executivo. A maioria das pessoas preferia o Cupê.
É o modelo com menos cromado de todos: só tem o friso do capô, que vinha em qualquer Maverick. Não tem friso nos vãos das rodas, na entrada de ar, embaixo do painel, na calha do teto nem ao redor das portas. No paralama tem o emblema Maverick e outro escrito "SUPER".
O banco tinha encosto baixo, forrado com courvin, um material que rasgava fácil. Rádio AM e console central eram opcionais, menos nas versões com motor de 4 cilindros, que já vinham com os dois de fábrica.
O modelo mudou pouco ao longo dos anos. As principais diferenças visuais entre as fases:
Tem dois raios, e a buzina fica no centro.
São de aço escovado, parecidas com as do modelo americano. Têm a palavra "FORD" (sem "MOTOR COMPANY") escrita em relevo três vezes, pintada de preto.
Parecido com o do Super Luxo, mas só escrito "Super".
O Super Luxo é uma das versões mais completas do Maverick. Teve motor de 6 cilindros até 1976; depois disso, seguiu só com motor de 4 cilindros ou V8. Ao longo da produção, já existiu com os três tipos de motor.
A diferença pro Super é grande, por fora e por dentro. A grade é a mesma do Super, mas o emblema do centro é diferente. E tem muito mais cromado:
Entre as lanternas de trás tem um acabamento especial, com a palavra "FORD" perto da lanterna esquerda.
Por dentro, os bancos misturavam courvin liso com courvin estampado. A luz do teto acendia quando abria as portas de trás, e os modelos com banco inteiriço tinham cinzeiro no encosto do banco da frente. Um emblema Maverick pequeno ficava na tampa do porta-luvas.
São de aço escovado, bem maiores que as dos outros modelos, e cobrem a roda inteira. As partes do centro eram pintadas de preto até 1975, e da cor do carro a partir de 1976.
Além do emblema Maverick, tem um segundo emblema menor escrito "SUPER LUXO".
Lançado junto com o Super e o Super Luxo em 1973, o GT (Gran Turismo) era a versão esportiva: rodas mais largas, pintura diferente e o motor V8 302, o mais forte da linha. Esse motor era chamado de "motor canadense" porque os blocos eram fundidos no Canadá, numa fábrica da Ford em Windsor, perto dos Estados Unidos, e depois montados lá nos EUA antes de virem pro Brasil.
Capô e faixas laterais pintados de preto, com a escrita "302 V8". O capô tinha travas na ponta, feitas porque diziam que ele podia abrir sozinho em alta velocidade. No dia a dia, essas travas eram só decoração.
As travas do capô saíram, veio um volante novo, e a grade virou a mesma do LDO, só que pintada de preto, sem o emblema. O capô ganhou entradas de ar falsas (que não funcionavam de verdade), além de novos desenhos na lateral e na traseira, calotas novas e lanternas de trás maiores, todas de plástico. Em 1978 e 1979, o friso cromado ao redor das portas virou um acabamento pintado de preto (só o friso do capô continuou, porque ele vinha em todos os modelos).
Nessa fase surgiu também o GT4: o mesmo carro esportivo, mas com motor de 4 cilindros 2.3 OHC no lugar do V8.
Na lateral, além da palavra Maverick, o GT tinha a famosa bandeira quadriculada, que também aparecia num emblema na tampa do porta-luvas.
Na Fase I, é a mesma calota do Super, pintada de preto. Na Fase II, o fundo é preto com as letras "FORD" em prata.
Os opcionais mais pedidos eram o relógio no console e o conta-giros na coluna de direção. Nas versões V8, o conta-giros ia até 6 mil RPM; nas GT4, até 8 mil RPM.
O LDO (Luxury Decor Option) chegou em 1977, já na Fase II, pra ser o novo topo de linha no lugar do Super Luxo.
A grade ficou nova, com barras retangulares maiores na vertical e contorno prateado. Os frisos laterais subiram pra altura da cintura do carro, e ganhou um refletor vermelho perto da traseira, no estilo dos carros americanos da época.
Por dentro, tudo podia ser da mesma cor: bancos, teto, forro das portas, painel e volante. Marrom e azul eram as cores mais comuns.
É uma das calotas mais bonitas da linha, com um desenho de coroa dentro de um círculo, no centro.
O volante era o mesmo do Ford Landau: quatro raios, com a buzina no centro. O friso embaixo do painel era o mesmo do Super Luxo, e a tampa do porta-luvas tinha um emblema escrito "LDO".
O emblema da grade era retangular, do mesmo formato das barras da grade. No centro tinha as cores da bandeira da Irlanda e três leões, representando três gerações da família Ford no comando da empresa: Henry, Edsel e Henry II.
Um friso de alumínio ligava as duas lanternas. Nessa fase, elas já eram grandes, de plástico, divididas em três partes.
O câmbio automático C4 (3 marchas mais ré, com alavanca no console) era um opcional só do LDO. O rádio toca-fitas só virou opcional no fim da produção, em 1978 e 1979.
Durante e logo depois da produção, surgiram outras versões do Maverick. Algumas tiveram o aval da Ford; a maioria foi feita por concessionárias ou oficinas, sem nenhuma aprovação oficial da fábrica.
Maverick Quadrijet: o Maverick de fábrica mais raro de todos. Foi uma jogada da Ford pra ficar mais forte nas competições, já que na época só podiam correr carros vendidos em série. Ele foi registrado como modelo de série, e usava carburadores quadrijet Holley, um coletor de alumínio Edelbrock e um comando de válvulas mais forte, com licença da Ford dos Estados Unidos. Por fora, era baseado no GT, com faróis de milha, saia lateral e um emblema escrito "Quadrijet".
Maverick Bicolor: não era um modelo à parte, como o Super, Super Luxo ou GT. Era uma opção de pintura em duas cores oferecida na linha 1975, no estilo "saia e blusa". A parte de cima vinha sempre em branco nevasca; embaixo, a Ford oferecia sete opções de cor, cada uma com seu próprio código de fábrica:
| Cor (parte de baixo) | Código |
|---|---|
| Vermelho Cadmium | BC |
| Azul Colonial | BK |
| Verde Itanhangá | BE |
| Marrom Conhaque | BQ |
| Azul Portela Metálico | BG |
| Ouro Antigo Metálico | BW |
| Marrom Castor Metálico | BU |
Ninguém sabe ao certo quantas unidades foram feitas em cada combinação, e poucas sobreviveram do jeito original. Um exemplar 1975 identificado pela própria plaqueta de fábrica confirma a combinação branco nevasca com marrom castor metálico (código BU).
Série Ouro e Prata: lançada no fim de 1976 e em 1977. Eram modelos Super com equipamentos do Super Luxo, pintados em tons dourados como Ouro Libra Metálico e Prata Continental Metálico, com bancos forrados em tecido Dixie.
Foi um projeto da concessionária Souza Ramos (SP), criado pra competir com as peruas (station wagons), um tipo de carro que o Maverick não tinha. Começou em 1976 e só ficou pronto em 1978, porque a Ford demorou pra aceitar fornecer carros semiacabados. Como não tinha autorização oficial da fábrica, a transformação também cancelava a garantia do carro.
Usava a carroceria do modelo de 4 portas (18 cm mais comprida que o Cupê), com vidros novos atrás das portas traseiras, tampa de trás em fibra, banco traseiro que dobrava (peça emprestada da Belina) e a boca do tanque de combustível do lado direito. Vinha com motor de 4 ou 6 cilindros, e sempre com duas portas.
Ninguém sabe o número exato de unidades feitas: as estimativas vão de pouco mais de 100 até cerca de 216. Hoje, poucos exemplares continuam em bom estado.
Foi uma ideia da concessionária Novocar (RS), sem plano de fabricar em série: era usada no dia a dia da própria loja. Não existem muitos registros técnicos sobre esse projeto. Outras pickups também foram feitas de forma independente em outros estados, inclusive uma versão artesanal construída em 1978 numa oficina do Rio de Janeiro, parecida com uma Ranchero em miniatura (a história completa está nas Curiosidades).
Foi criado pela concessionária Caltabiano (SP), com design do preparador Anísio Campos. Tinha teto solar, vidros elétricos, rodas de liga leve italianas, spoiler na frente, aerofólio atrás, volante esportivo, faróis amarelos de iodo e um desenho lateral só dele, escrito "5000R". Poucas unidades foram vendidas, porque os opcionais eram caros.