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Respostas simples e diretas pras dúvidas mais comuns de quem tem um Maverick: o que trocar, o que adaptar e no que prestar atenção antes de mexer no carro.
Dá sim, mas com um ajuste. Os dois câmbios são bem parecidos. A diferença está numa peça chamada eixo piloto:
O eixo piloto do 4cc tem 35 dentes e é mais comprido; o do 6cc tem 33 dentes e é mais curto. Por isso a primeira marcha do 4cc puxa mais forte, é mais "curta".
Trocando essa peça, um câmbio serve no outro motor. Vale já ir garantindo essa peça com antecedência, porque não é fácil de achar, e sempre bom confirmar com um mecânico de confiança antes de desmontar qualquer coisa.
| Versão | Relação | Coroa / Pinhão |
|---|---|---|
| 4cc (Fase I, curta) | 3,92 : 1 | 47/12 |
| 4cc GT (Fase II, longa) | 3,73 : 1 | 41/11 |
| 6cc | 3,31 : 1 | 43/13 |
| 8cc (V8) | 3,07 : 1 | 43/14 |
| 8cc automático | 2,87 : 1 | 43/15 |
| Motor | Motor (litros) | Câmbio | Diferencial |
|---|---|---|---|
| 4cc | 4,5 | 2,0 L | 1,7 L |
| 6cc | 5,5 | 1,5 L | 1,7 L |
| V8, câmbio 3 marchas | 4,7 | 2,0 L | 1,7 L |
| V8, câmbio 4 marchas (assoalho) | 4,7 | 2,4 L | 1,7 L |
| V8, câmbio automático | 4,7 | 8,0 L | 1,7 L |
No motor: use óleo 20W50 (marcas como Mobil Super, Shell Helix HX3, Lubrax SJ ou Havoline Premium funcionam bem).
No câmbio manual e no diferencial: use óleo classe GL4, SAE 90. Esse tipo não estraga as peças de bronze que existem dentro das caixas antigas. Por isso, evite óleos de outra classe.
No câmbio automático: use óleo tipo ATF.
Sobre o cabo de vela: o tipo supressivo tem uma capa mais grossa e evita chiado no rádio; o de silicone dura mais e não resseca; o comum é o mais simples, mas resseca mais rápido com o tempo.
A furação de fábrica é 114 x 3 x 5. É a mesma furação de outros carros da época, como Opala, Ranger, Mustang e alguns modelos Dodge americanos. Por isso, rodas desses carros costumam encaixar também.
Alinhar o carro é ajustar três coisas: a cambagem (o quanto a roda inclina pra dentro ou pra fora), o caster (o quanto a roda fica deslocada pra frente ou pra trás) e a convergência (a abertura das rodas da frente, vistas de cima). O Maverick tem tração traseira, então esse ajuste funciona diferente de um carro de tração dianteira.
Antes de mandar alinhar, fique de olho em 4 coisas:
Cambagem: é a inclinação da roda vista de frente. Cambagem positiva é quando a roda inclina pra fora em cima; negativa, quando inclina pra dentro. Cambagem fora do padrão desgasta o pneu de um lado mais que do outro, e pode puxar o carro pra um dos lados.
Caster: é a inclinação do eixo de direção, vista de lado. É o que faz o volante voltar sozinho ao centro depois de uma curva, e mantém o carro estável em linha reta. Caster fora do padrão deixa a direção instável ou pesada demais.
Convergência: é a abertura das rodas da frente, vista de cima. Como o Maverick tem tração traseira, ele usa convergência positiva (rodas um pouco "fechadas" na frente), ao contrário da maioria dos carros de tração dianteira de hoje. Convergência errada desgasta o pneu só de um lado.
| Ajuste | Mínimo | Ideal | Máximo | Variação máx. entre rodas |
|---|---|---|---|---|
| Caster | -2° 30' | -0° 30' | +1° 30' | 1° |
| Cambagem | -0° 45' | +0° 15' | +1° 15' | 1° |
| Convergência | 1,6 mm | 4,8 mm | 9,5 mm | - |
Mais alguns cuidados específicos do Maverick:
Confira o alinhamento de novo uma semana depois, e depois a cada 6 meses (ou antes, se pegar buracos grandes ou quebra-molas).
Isso vale pra suspensão original. Em suspensões adaptadas (sistema IFS, tubular, etc.), as tolerâncias podem mudar.
Ilustrações criadas especialmente para o Acervo Maverick Brasil.
Ilustrações criadas especialmente para o Acervo Maverick Brasil.
Ilustrações criadas especialmente para o Acervo Maverick Brasil.
O Maverick brasileiro teve duas fases de produção, cada uma com seus modelos e motores: Fase 1 (1973-76), com lanternas de contorno em alumínio, e Fase 2 (1977-79), com lanternas de plástico em três partes.
| Fase | Modelo | Motores disponíveis | Carroceria |
|---|---|---|---|
| 1 (73-76) | Super | 6cc, V8, 4cc (a partir de 75) | 2 e 4 portas |
| 1 (73-76) | Super Luxo | 6cc, V8, 4cc (a partir de 75) | 2 e 4 portas |
| 1 (73-76) | GT | V8, câmbio 3 ou 4 marchas | 2 portas |
| 2 (77-79) | Super | 4cc e V8 | 2 e 4 portas |
| 2 (77-79) | GT | V8, câmbio 4 marchas | 2 portas |
| 2 (77-79) | GT4 | 4cc | 2 portas |
| 2 (77-79) | LDO | 4cc e V8 (com câmbio automático) | 2 e 4 portas |
Também existiu a edição especial Série Ouro e Prata (1976/77), registrada como Super, mas com acabamento do Super Luxo. De fábrica, NÃO existe: GT com motor 6cc, GT de 4 portas, LDO com motor 6cc, 6cc a álcool, nem Maverick com motor 4cc antes de 1975. Qualquer carro assim é resultado de adaptação, não é configuração original.
Sobre customização: upgrades como capô de fibra, rodas esportivas e faróis diferentes são comuns e não são necessariamente um problema. Mas modificações muito radicais costumam reduzir o valor do carro e dificultar voltar ao original depois.
Sobre motor adaptado: trocar de motor (principalmente 4cc/6cc por V8) exige regularizar no Detran; um carro com motor trocado sem essa documentação pode ser apreendido. Um GT original sempre começa com o código de chassi LB5E na plaqueta. Sem isso, é um Super ou Super Luxo com motor V8 adaptado. Além da parte de documentação, colocar um motor maior sem reforçar a estrutura do carro pode causar trincas na longarina com o tempo.
Carro pra restaurar: antes de comprar um carro pra restaurar do zero, avalie com calma o estado real da estrutura (não só da pintura), se as peças originais de acabamento (bancos, frisos, plaqueta) ainda existem, e se você tem bons profissionais de funilaria, elétrica e estofamento perto de você. Restaurar um carro incompleto ou muito deteriorado pode custar bem mais caro do que comprar um exemplar já completo.
Cuidados na negociação: desconfie de anúncios com preço muito abaixo do mercado, sempre veja o carro pessoalmente antes de pagar qualquer coisa, e confira se a plaqueta e o chassi batem com a documentação no Detran antes de fechar negócio.
| Motor | Potência declarada | Velocidade máxima | Consumo médio | Perfil |
|---|---|---|---|---|
| 4cc | 99 cv | 140-155 km/h | ~9 km/l | Mais moderno, aceita preparação, bom equilíbrio entre economia e desempenho |
| 6cc | 112 cv | 110-120 km/h | ~6 km/l | Motor mais simples e macio, mas com pouca margem pra upgrade de performance; roda muito sem precisar de retífica |
| V8 | 199 cv (bruto) | ~190 km/h | ~5 km/l | O mais forte da linha, peças fáceis de achar e muita opção de preparação, mas manutenção mais cara |
Não existe resposta certa, só a que combina com o uso que você quer dar ao carro: o 4cc entrega o melhor custo-benefício no dia a dia, o 6cc prioriza simplicidade e durabilidade, e o V8 é a escolha de quem quer desempenho e não se importa de gastar mais combustível.
Saber o nome certo de cada peça ajuda na hora de pedir orçamento ou comprar peças novas.
Um detalhe entre as fases: as buchas da bandeja da fase 2 são mais fáceis e mais baratas de trocar, mas costumam durar menos que as bandejas com eixo da fase 1.
Existe sim. Nos Mavericks 4cc e V8, a caixa de direção é do tipo esferas recirculantes; no 6cc, é do tipo rosca sem-fim, que é mais dura de girar.
Caixas de direção novas praticamente não existem mais à venda: a alternativa é procurar uma recondicionada numa oficina especializada em direção. Uma dica de quem já passou por isso: se o seu carro é 6cc e a caixa original está gasta, vale considerar adaptar uma caixa de esferas recirculantes de um 4cc ou V8, que funciona bem mais macio.
| Motor | Ordem de ignição |
|---|---|
| 4cc | 1 - 3 - 4 - 2 |
| 6cc | 1 - 5 - 3 - 6 - 2 - 4 |
| V8 | 1 - 5 - 4 - 2 - 6 - 3 - 7 - 8 |
Um Maverick "ruim de pegar" ou funcionando mal costuma ter causa elétrica ou mecânica. Um roteiro pra ir checando:
| Medida | 2 portas | 4 portas |
|---|---|---|
| Comprimento | 4,55 a 4,59 m (GT) | 4,73 a 4,77 m (Super Luxo) |
| Largura | 1,79 m (todos) | |
| Altura | 1,35 m | 1,37 m |
| Medida do pneu | Tala média | Faixa tolerada |
|---|---|---|
| 165/70 - 165/65 | 5,5 | 5,0 - 6,0 |
| 175/70 - 175/65 - 175/60 | 5,5 ou 6,0 | 5,0 - 6,0 |
| 185/70 - 185/65 | 6,0 ou 6,5 | 5,5 - 6,5 |
| 195/70 - 195/65 - 195/60 | 6,5 | 6,0 - 7,0 |
| 205/65 - 205/60 | 7,0 | 6,5 - 7,5 |
| 215/65 - 215/60 | 7,5 | 7,0 - 8,0 |
| 225/70 | 7,5 ou 8,0 | 7,5 - 8,0 |
Como calcular o aro em polegadas: meça o diâmetro externo da roda, subtraia 3,5 cm e divida o resultado por 2,54. Exemplo: diâmetro de 39 cm, menos 3,5 cm, dividido por 2,54, dá 14 polegadas.
O comutador de ignição e partida funciona como um interruptor de três posições, instalado atrás do miolo de ignição, na coluna de direção. Quando você gira a chave, ela move a haste do comutador, que fecha os contatos elétricos e dá partida no motor.
No Brasil, o comutador do Maverick é uma peça própria, não tem adaptação direta de outro carro nacional. Nos EUA, o mesmo comutador foi usado em outros carros da Ford, como Pinto, Bobcat e Comet, mas o encaixe do chicote e o comprimento da haste mudam. Por isso, confirme o código certo antes de importar um.
Pra retirar, remova os parafusos que seguram a coluna, as capas plásticas, e abaixe a coluna pra ter acesso ao comutador. Antes de instalar um comutador novo, retire o pino de segurança que vem junto com a peça.
A posição do comutador na coluna é o ponto mais importante desse ajuste: marque a posição do comutador antigo antes de tirar ele. Se o novo ficar longe demais (do lado da parede corta-fogo), o carro pode pegar só de encostar na chave, e o arranque pode ficar ligado sem parar. Se ficar perto demais (do lado do volante), você vai precisar girar quase toda a chave pro carro pegar. O ideal é o motor pegar com a chave girada na metade do curso.
Depois de montar tudo, teste com o carro ligado antes de recolocar os parafusos da coluna e as capas plásticas de vez.
Trepidação no volante, com barulho vindo da coluna de direção, geralmente indica que o rolamento da coluna está gasto. É um serviço mais trabalhoso de desmontar do que de fazer.
Esse rolamento é o mesmo do Corcel I, Del Rey e F1000 (marca W. Zanoni, borda ondulada, existe uma versão de borda lisa, mas essa não é a certa pro Maverick).
A grade de ventilação na base do para-brisa, apelidada de "churrasqueira", é um dos lugares clássicos onde o Maverick vaza água. Com o tempo, folhas secas e poeira se juntam no fundo do bocal, viram uma massa molhada a cada lavagem e criam pontos de ferrugem, até a água começar a pingar no pé do motorista ou entrar por baixo do carpete, apodrecendo o assoalho.
Existem três formas de resolver, todas exigindo tirar o paralama pra ter acesso:
É o reparo mais completo: use papelão pra fazer o molde da chapa da base e do bocal, passe o molde pra uma chapa galvanizada de mais ou menos 1,5mm, corte, ajuste o encaixe e solde no lugar da chapa estragada (de preferência por cima da chapa antiga, cortando só o que estiver realmente podre). Antes de fixar o bocal, vede bem as soldas do fundo, porque depois de soldado não dá mais pra fazer isso. Termine com um fundo anticorrosivo e um vedante automotivo (tipo KPO, achado em lojas de tinta automotiva) antes de pintar.
Uma forma mais simples: cortar toda a grelha de ventilação, acabar bem a chapa que ficou exposta, limpar bem a calha por dentro, e fechar a abertura soldando uma chapa nova, eliminando de vez a grelha (e o lugar onde a sujeira se acumulava). Bem feito, o resultado parece acabamento original.
Mantém a grelha visível por fora, mas elimina o bocal de escoamento na base, que costuma ser a parte mais estragada. Depois de proteger os frisos e a pintura ao redor, tira-se o paralama e a grade central, corta-se a lataria na região do bocal, limpa e conserta a ferrugem, e solda-se uma chapa de vedação (1,5 a 2mm) por dentro, terminando com fibra de vidro ou massa plástica.
Uma forma de rebaixar a traseira sem cortar, arquear ou tirar as molas é usar o calço do caminhão Mercedes-Benz 608. Ele tem um pino de um lado (que apoia no diferencial) e um furo do outro (que recebe o pino do feixe de molas). Se não achar o calço pronto, dá pra fabricar um com uma barra de ferro, respeitando a largura do feixe e a distância entre os grampos.
Como o diferencial do Maverick fica apoiado sobre o feixe de molas, o calço levanta o diferencial e mantém as molas no mesmo lugar. O resultado final, com o carro no chão, é um carro rebaixado (uns 2 a 3 cm). Como não corta nem arqueia nada, dá pra tirar o calço a qualquer momento sem estragar o feixe original.
Junto com o calço, é preciso trocar os grampos do feixe por uns mais altos (os da F4000 costumam servir, mas geralmente são mais grossos que os originais, então precisa alargar um pouco os furos do jumelo).
Quando não se acha a mola original do 6cc, uma alternativa é usar a mola do V8, cortando duas voltas dela pra chegar no rebaixamento desejado. Amortecedores de Opala, mais baratos, também costumam ser usados no lugar dos originais nesse tipo de adaptação.
O V8 302 do Maverick é um motor robusto e aceita bem preparação, sem precisar reforçar a estrutura pra níveis leves e médios de potência. Alguns caminhos possíveis, do mais simples ao mais radical:
Muda só a carburação e a ignição (carburador de 4 bocas com secundário a vácuo e um distribuidor melhor), sem mexer no diferencial. O ganho de desempenho é quase zero, mas o consumo melhora pra algo como 8,5 km/l na estrada.
Subir a taxa de compressão original (que é baixa, 7,5:1, pensada pra gasolina dos anos 1970) pra algo entre 8,5:1 e 9,5:1 já traz ganhos reais de torque, potência e até de consumo com a gasolina de hoje, sem risco grande pro motor. Trocar o comando de válvulas por um mais "bravo" (entre 275° e 290° de duração), junto com um carburador quadrijet de maior vazão (600 a 650 CFM) e um coletor de admissão compatível, melhora bastante a resposta em qualquer rotação.
| Original | Comando 275° | Comando 290° | |
|---|---|---|---|
| Potência máxima | 135 cv* | 214 cv* | 257 cv* |
| Rotação de potência máxima | 4.600 rpm | 5.800 rpm | 6.350 rpm |
| Velocidade máxima | 180 km/h | 210 km/h | 223 km/h |
| 0 a 100 km/h | 11,2 s | 7,1 s | 5,9 s |
| Torque máximo | 26,8 mkgf* | 25,2 mkgf* | 25,5 mkgf* |
* Estes valores são de potência líquida (motor completo, com todos os acessórios). Os 199 cv e 39,5 mkgf informados originalmente pela Ford eram medidos como potência bruta (motor nu, sem acessórios nem escapamento completo), prática comum na época, por isso os números parecem bem diferentes.
Um preparo nesse nível geralmente não precisa de peças forjadas, porque o motor de fábrica aguenta bem esse ganho. Mesmo assim, revise bem os freios e a suspensão, e use pneus com índice de velocidade compatível (H ou V) antes de rodar com o carro preparado.
Pra arrancada e pista, os preparos mais radicais incluem: pistões forjados (com mais folga no cilindro por causa da dilatação), virabrequim retificado e balanceado, bielas e parafusos de biela reforçados, cabeçote retrabalhado (principalmente nos dutos de escape, um ponto que trava um pouco o 302), comando mecânico esportivo (entre 290° e 300°), carburador Holley de 650 CFM, ignição eletrônica de alta performance, escapamento com saída dupla, e radiador de 3 ou 4 carreiras (essencial, já que taxas de compressão mais altas esquentam mais o motor). Nesse nível, também vale considerar trocar o câmbio original por um de 5 marchas (veja a página de Motores e Câmbio), e reforçar freios e suspensão deixa de ser opcional.