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Dicas Técnicas

Respostas simples e diretas pras dúvidas mais comuns de quem tem um Maverick: o que trocar, o que adaptar e no que prestar atenção antes de mexer no carro.

Reunimos essas informações em fóruns, blogs, redes sociais e sites especializados sobre o Maverick. Ainda estamos revisando tudo antes de publicar a versão final.
Quer calcular a velocidade e a queda de giro em cada marcha do seu conjunto de câmbio e diferencial (a chamada relação de transmissão)? Essa calculadora agora vive na página de Motores e Câmbio, junto com as fichas técnicas de cada motor.
Posso usar o câmbio do 4cc no meu 6cc, ou vice-versa?

Dá sim, mas com um ajuste. Os dois câmbios são bem parecidos. A diferença está numa peça chamada eixo piloto:

  • Estria fina: é o que vem no Maverick e na F100
  • Estria grossa: é o que vem no Jeep, na Rural e na F75

O eixo piloto do 4cc tem 35 dentes e é mais comprido; o do 6cc tem 33 dentes e é mais curto. Por isso a primeira marcha do 4cc puxa mais forte, é mais "curta".

Trocando essa peça, um câmbio serve no outro motor. Vale já ir garantindo essa peça com antecedência, porque não é fácil de achar, e sempre bom confirmar com um mecânico de confiança antes de desmontar qualquer coisa.

Interior do Maverick com cambio automatico, alavanca no console
Cambio automatico com alavanca seletora no console, entre os bancos.
Painel do Maverick com alavanca de cambio na coluna de direcao
Alavanca de cambio na coluna de direcao, vista por baixo do volante.
Interior do Maverick GT com cambio manual no assoalho
Maverick GT com cambio manual no assoalho e bancos com estofado xadrez.
Outro angulo da alavanca de cambio na coluna de direcao
Outro angulo da alavanca na coluna, ao lado do conjunto de instrumentos.
Fonte: pesquisa em fóruns e grupos de proprietários de Maverick.
Qual a relação diferencial de cada Maverick?
VersãoRelaçãoCoroa / Pinhão
4cc (Fase I, curta)3,92 : 147/12
4cc GT (Fase II, longa)3,73 : 141/11
6cc3,31 : 143/13
8cc (V8)3,07 : 143/14
8cc automático2,87 : 143/15
Antes de trocar: uma relação mais longa (número menor) economiza mais combustível, mas perde força na arrancada. Uma relação mais curta (número maior) ganha força, mas faz o motor girar muito alto na estrada. Usar a relação do 4cc num V8, por exemplo, deixa o motor "gritando" na estrada.
Fonte: manuais técnicos de época, cruzados com relatos de proprietários.
Quais óleos devo usar no motor, câmbio e diferencial?
MotorMotor (litros)CâmbioDiferencial
4cc4,52,0 L1,7 L
6cc5,51,5 L1,7 L
V8, câmbio 3 marchas4,72,0 L1,7 L
V8, câmbio 4 marchas (assoalho)4,72,4 L1,7 L
V8, câmbio automático4,78,0 L1,7 L

No motor: use óleo 20W50 (marcas como Mobil Super, Shell Helix HX3, Lubrax SJ ou Havoline Premium funcionam bem).

No câmbio manual e no diferencial: use óleo classe GL4, SAE 90. Esse tipo não estraga as peças de bronze que existem dentro das caixas antigas. Por isso, evite óleos de outra classe.

No câmbio automático: use óleo tipo ATF.

Fonte: manuais técnicos de época e fóruns especializados.
Quais velas devo usar no meu Maverick?
  • Motor 6cc: vela NGK B6S
  • Motor 4cc: vela NGK BP6EFS
  • Motor V8: vela NGK BPR5FS (se for rosca fina) ou AP5FS / APR5FS (se for rosca grossa)

Sobre o cabo de vela: o tipo supressivo tem uma capa mais grossa e evita chiado no rádio; o de silicone dura mais e não resseca; o comum é o mais simples, mas resseca mais rápido com o tempo.

Fonte: pesquisa em fóruns e grupos de proprietários de Maverick.
Qual a furação das rodas do Maverick?

A furação de fábrica é 114 x 3 x 5. É a mesma furação de outros carros da época, como Opala, Ranger, Mustang e alguns modelos Dodge americanos. Por isso, rodas desses carros costumam encaixar também.

Fonte: pesquisa em fóruns e grupos especializados.
Dicas de alinhamento para o Maverick

Alinhar o carro é ajustar três coisas: a cambagem (o quanto a roda inclina pra dentro ou pra fora), o caster (o quanto a roda fica deslocada pra frente ou pra trás) e a convergência (a abertura das rodas da frente, vistas de cima). O Maverick tem tração traseira, então esse ajuste funciona diferente de um carro de tração dianteira.

Antes de mandar alinhar, fique de olho em 4 coisas:

  • A suspensão precisa estar em dia: se tiver folga nos pivôs, terminais, buchas ou bandejas, o alinhamento não dura, em poucos dias já desregula de novo.
  • Procure alguém com experiência no modelo: o Maverick tem detalhes que nem todo alinhador conhece, vale perguntar se ele já trabalhou com o carro antes.
  • Prefira equipamento 3D: é mais preciso e geralmente já vem com as medidas certas do carro cadastradas.
  • Confira o estado da carroceria: se a torre estiver torta ou a longarina empenada, o alinhamento não fica certo, mesmo com a suspensão boa.

O que é cada ajuste

Cambagem: é a inclinação da roda vista de frente. Cambagem positiva é quando a roda inclina pra fora em cima; negativa, quando inclina pra dentro. Cambagem fora do padrão desgasta o pneu de um lado mais que do outro, e pode puxar o carro pra um dos lados.

Caster: é a inclinação do eixo de direção, vista de lado. É o que faz o volante voltar sozinho ao centro depois de uma curva, e mantém o carro estável em linha reta. Caster fora do padrão deixa a direção instável ou pesada demais.

Convergência: é a abertura das rodas da frente, vista de cima. Como o Maverick tem tração traseira, ele usa convergência positiva (rodas um pouco "fechadas" na frente), ao contrário da maioria dos carros de tração dianteira de hoje. Convergência errada desgasta o pneu só de um lado.

AjusteMínimoIdealMáximoVariação máx. entre rodas
Caster-2° 30'-0° 30'+1° 30'1°
Cambagem-0° 45'+0° 15'+1° 15'1°
Convergência1,6 mm4,8 mm9,5 mm-

Mais alguns cuidados específicos do Maverick:

  • Torção na base da bandeja inferior: é um problema comum nesse carro. Quando acontece, alguns alinhadores tentam compensar forçando o tensor, isso tira o carro do centro e deixa a direção instável, principalmente em curva. Se o carro ficar "nervoso" depois do alinhamento, desconfie disso.
  • Calços de cambagem: quando o parafuso excêntrico da bandeja inferior não tem mais curso pra corrigir a cambagem, dá pra usar calços entre o eixo da bandeja superior e a torre (no máximo 3 a 4 por eixo, mais que isso quer dizer que a estrutura do carro precisa de reparo, não só de alinhamento).
  • Posição do volante: se os raios do volante ficarem tortos depois do alinhamento, é porque a convergência não ficou igual dos dois lados. Normalmente se corrige ajustando as luvas de direção.
  • Torres e longarina: vale olhar bem essa região antes de qualquer alinhamento. Uma torre torta ou trincada pode deixar a cambagem fora do padrão mesmo com a suspensão em perfeito estado, e nesse caso o conserto é de funilaria estrutural, não de alinhamento.

Confira o alinhamento de novo uma semana depois, e depois a cada 6 meses (ou antes, se pegar buracos grandes ou quebra-molas).

Isso vale pra suspensão original. Em suspensões adaptadas (sistema IFS, tubular, etc.), as tolerâncias podem mudar.

Peças da suspensão dianteira do Maverick, identificadas sobre foto
Vista de baixo, com o nome de cada peça.
Ilustração explodida da suspensão dianteira e do sistema de direção do Maverick
Vista explodida, com o nome de cada peça.

Ilustrações criadas especialmente para o Acervo Maverick Brasil.

Câmbio manual Clark 260F (o câmbio original de 4 marchas)

Ilustração dos componentes do câmbio manual Clark 260F, 4 marchas
Sem legenda dos componentes.
Ilustração legendada dos componentes do câmbio manual Clark 260F, 4 marchas
Com o nome de cada componente.

Ilustrações criadas especialmente para o Acervo Maverick Brasil.

Câmbio automático C4

Ilustração dos componentes do câmbio automático Ford C4
Sem legenda dos componentes.
Ilustração legendada dos componentes do câmbio automático Ford C4
Com o nome de cada componente.

Ilustrações criadas especialmente para o Acervo Maverick Brasil.

Fonte: pesquisa em fóruns e grupos de proprietários de Maverick.
O que observar antes de comprar um Maverick

O Maverick brasileiro teve duas fases de produção, cada uma com seus modelos e motores: Fase 1 (1973-76), com lanternas de contorno em alumínio, e Fase 2 (1977-79), com lanternas de plástico em três partes.

FaseModeloMotores disponíveisCarroceria
1 (73-76)Super6cc, V8, 4cc (a partir de 75)2 e 4 portas
1 (73-76)Super Luxo6cc, V8, 4cc (a partir de 75)2 e 4 portas
1 (73-76)GTV8, câmbio 3 ou 4 marchas2 portas
2 (77-79)Super4cc e V82 e 4 portas
2 (77-79)GTV8, câmbio 4 marchas2 portas
2 (77-79)GT44cc2 portas
2 (77-79)LDO4cc e V8 (com câmbio automático)2 e 4 portas

Também existiu a edição especial Série Ouro e Prata (1976/77), registrada como Super, mas com acabamento do Super Luxo. De fábrica, NÃO existe: GT com motor 6cc, GT de 4 portas, LDO com motor 6cc, 6cc a álcool, nem Maverick com motor 4cc antes de 1975. Qualquer carro assim é resultado de adaptação, não é configuração original.

Sem a plaqueta, é bem difícil confirmar a configuração original do carro (motor, câmbio, relação de diferencial, cor, estofamento). O número gravado no chassi só mostra o modelo e o mês/ano de fabricação. Consulte a página de Plaqueta de Identificação antes de fechar negócio, e desconfie de qualquer vendedor que não tenha a plaqueta ou não deixe você ver.

Sobre customização: upgrades como capô de fibra, rodas esportivas e faróis diferentes são comuns e não são necessariamente um problema. Mas modificações muito radicais costumam reduzir o valor do carro e dificultar voltar ao original depois.

Sobre motor adaptado: trocar de motor (principalmente 4cc/6cc por V8) exige regularizar no Detran; um carro com motor trocado sem essa documentação pode ser apreendido. Um GT original sempre começa com o código de chassi LB5E na plaqueta. Sem isso, é um Super ou Super Luxo com motor V8 adaptado. Além da parte de documentação, colocar um motor maior sem reforçar a estrutura do carro pode causar trincas na longarina com o tempo.

Carro pra restaurar: antes de comprar um carro pra restaurar do zero, avalie com calma o estado real da estrutura (não só da pintura), se as peças originais de acabamento (bancos, frisos, plaqueta) ainda existem, e se você tem bons profissionais de funilaria, elétrica e estofamento perto de você. Restaurar um carro incompleto ou muito deteriorado pode custar bem mais caro do que comprar um exemplar já completo.

Cuidados na negociação: desconfie de anúncios com preço muito abaixo do mercado, sempre veja o carro pessoalmente antes de pagar qualquer coisa, e confira se a plaqueta e o chassi batem com a documentação no Detran antes de fechar negócio.

Fonte: dados públicos reunidos em fóruns e grupos de proprietários de Maverick.
Qual motor escolher: 4cc, 6cc ou V8?
MotorPotência declaradaVelocidade máximaConsumo médioPerfil
4cc99 cv140-155 km/h~9 km/lMais moderno, aceita preparação, bom equilíbrio entre economia e desempenho
6cc112 cv110-120 km/h~6 km/lMotor mais simples e macio, mas com pouca margem pra upgrade de performance; roda muito sem precisar de retífica
V8199 cv (bruto)~190 km/h~5 km/lO mais forte da linha, peças fáceis de achar e muita opção de preparação, mas manutenção mais cara

Não existe resposta certa, só a que combina com o uso que você quer dar ao carro: o 4cc entrega o melhor custo-benefício no dia a dia, o 6cc prioriza simplicidade e durabilidade, e o V8 é a escolha de quem quer desempenho e não se importa de gastar mais combustível.

Fonte: dados públicos reunidos em fóruns e grupos de proprietários de Maverick.
Conheça as peças da suspensão dianteira

Saber o nome certo de cada peça ajuda na hora de pedir orçamento ou comprar peças novas.

  • Barra central de direção: liga o braço Pitman (na caixa de direção) ao braço auxiliar, recebendo os terminais longos.
  • Barra estabilizadora: fixada na longarina por suporte e buchas; nas pontas recebe as bieletas.
  • Braço tensor: fixado na bandeja inferior, é responsável pelo ajuste do caster.
  • Terminal longo e curto + luva de direção: o terminal longo vem da barra de direção e se une ao terminal curto pela luva de direção; o terminal curto se fixa na manga de eixo. É pela luva de direção que se ajusta a convergência.
  • Bandeja inferior, eixo e pivô inferior: a bandeja inferior se fixa na longarina pelo eixo, que também regula a cambagem; recebe o pivô inferior, a bieleta e o braço tensor.
  • Bandeja superior, eixo e pivô superior: se fixa no berço do bojo pelo eixo, recebe o pivô superior e o suporte das molas.
  • Suporte das molas ("tamanquinho"): preso na bandeja superior, serve de base pra mola e pro amortecedor.
  • Bieletas: ligam a barra estabilizadora à bandeja inferior, ajudando na estabilidade.
  • Braço auxiliar: preso na longarina, recebe a barra central de direção.
Barra central de direção do Maverick
Bandejas superior e inferior da suspensão dianteira do Maverick
Bandejas
Parafusos excêntricos de cambagem do Maverick
Parafusos excêntricos
Pivôs de suspensão do Maverick
Pivôs de suspensão

Um detalhe entre as fases: as buchas da bandeja da fase 2 são mais fáceis e mais baratas de trocar, mas costumam durar menos que as bandejas com eixo da fase 1.

Fonte: dados públicos reunidos em fóruns e grupos de proprietários de Maverick.
Existe diferença na caixa de direção entre os motores?

Existe sim. Nos Mavericks 4cc e V8, a caixa de direção é do tipo esferas recirculantes; no 6cc, é do tipo rosca sem-fim, que é mais dura de girar.

Caixas de direção novas praticamente não existem mais à venda: a alternativa é procurar uma recondicionada numa oficina especializada em direção. Uma dica de quem já passou por isso: se o seu carro é 6cc e a caixa original está gasta, vale considerar adaptar uma caixa de esferas recirculantes de um 4cc ou V8, que funciona bem mais macio.

Fonte: dados públicos reunidos em fóruns e grupos de proprietários de Maverick.
Onde fica a numeração do motor?
  • 4 cilindros: do lado do escapamento, atrás da última vela, perto da parede corta-fogo, entre o motor e a capa seca do câmbio.
  • V8: atrás do coletor de admissão, perto da parede corta-fogo, ou entre o distribuidor e a bomba de combustível.
  • 6 cilindros (motores 74-76): perto da haste do alternador, abaixo do cabeçote, do lado direito do motor.
Muitos motores originais não têm número gravado, mesmo sendo 4cc, 6cc ou V8. Só por não ter o número, não quer dizer que o motor foi trocado.
Fonte: dados públicos reunidos em fóruns e grupos de proprietários de Maverick.
Qual a ordem de ignição de cada motor?
MotorOrdem de ignição
4cc1 - 3 - 4 - 2
6cc1 - 5 - 3 - 6 - 2 - 4
V81 - 5 - 4 - 2 - 6 - 3 - 7 - 8
Fonte: manuais técnicos de época.
Motor com funcionamento ruim: por onde começar a investigar?

Um Maverick "ruim de pegar" ou funcionando mal costuma ter causa elétrica ou mecânica. Um roteiro pra ir checando:

Parte elétrica

  • Aterramento: a malha está bem apertada e o ponto de contato está limpo, sem graxa ou sujeira?
  • Motor novo ou recém-retificado precisa de amaciamento, principalmente com peças móveis novas.
  • Cabos de vela e velas em bom estado, sem trincas na tampa do distribuidor.
  • Limpeza geral dos contatos e terminais do motor de arranque.
  • Bobina superaquecendo depois que o carro esquenta pode indicar necessidade de resistência ou troca da bobina.
  • Conferir se está chegando corrente na bobina a partir do comutador.
  • Ainda usa platinado? Vale considerar upgrade pra ignição eletrônica.
  • Checar o ponto de ignição com uma pistola estroboscópica.
  • Motor de arranque com induzido ou escovas desgastadas perde força pra girar o motor.

Parte mecânica e alimentação

  • Motor duro de girar: pode ser ponto errado, válvulas presas ou tuchos travados (um aditivo de óleo tipo Bardhal pode ajudar a limpar tuchos).
  • Carro afogando: borboleta do segundo estágio travada, carburador frouxo, boia furada, encharcada ou empenada.
  • Carro morrendo em marcha lenta: parafuso de marcha lenta entupido.
  • Falha de combustível: bomba com problema ou entupimento no bico/filtro.
  • Motor "rajando" (batendo): pode ser problema no virabrequim. Pare o carro imediatamente e leve pra retífica.
  • Consumo de óleo alto: retentores de válvula ou anéis desgastados, ou desgaste natural do bloco.
  • Compressão baixa: problemas no cabeçote, pistões, anéis ou sede de válvulas muito carbonizada.
  • Óleo com aparência leitosa (misturado com água): junta do cabeçote comprometida.
  • Pega bem, mas acelera mal: falha de ponto (o carro "engasga") ou velas queimadas.
Procure um mecânico com experiência em carros antigos (mecânicos de Jeep e picapes antigas costumam entender bem desse tipo de motor). Um profissional acostumado só com carros injetados modernos tende a não reconhecer os sintomas de um motor a carburador.
Fonte: dados públicos reunidos em fóruns e grupos de proprietários de Maverick.
Quais são as medidas do Maverick?
Medida2 portas4 portas
Comprimento4,55 a 4,59 m (GT)4,73 a 4,77 m (Super Luxo)
Largura1,79 m (todos)
Altura1,35 m1,37 m
Fonte: manuais técnicos de época.
Quais os padrões de cor do forro de teto?
  • Fase 1 (73-76): forro de teto preto.
  • Fase 2 (77-79): forro de teto branco.
  • Opcionais: o LDO usava forro bege; as séries especiais de 1975/76 tiveram forros azul e vermelho.
Fonte: dados públicos reunidos em fóruns e grupos de proprietários de Maverick.
Como saber a medida certa do pneu pra cada tala de roda?
Medida do pneuTala médiaFaixa tolerada
165/70 - 165/655,55,0 - 6,0
175/70 - 175/65 - 175/605,5 ou 6,05,0 - 6,0
185/70 - 185/656,0 ou 6,55,5 - 6,5
195/70 - 195/65 - 195/606,56,0 - 7,0
205/65 - 205/607,06,5 - 7,5
215/65 - 215/607,57,0 - 8,0
225/707,5 ou 8,07,5 - 8,0

Como calcular o aro em polegadas: meça o diâmetro externo da roda, subtraia 3,5 cm e divida o resultado por 2,54. Exemplo: diâmetro de 39 cm, menos 3,5 cm, dividido por 2,54, dá 14 polegadas.

Medidas fora da faixa tolerada (marcadas com combinações menos comuns) podem prejudicar a dirigibilidade e reduzir a vida útil do pneu.
Fonte: dados públicos reunidos em fóruns e grupos de proprietários de Maverick.
Como regular o comutador de ignição

O comutador de ignição e partida funciona como um interruptor de três posições, instalado atrás do miolo de ignição, na coluna de direção. Quando você gira a chave, ela move a haste do comutador, que fecha os contatos elétricos e dá partida no motor.

Comutador de ignição do Maverick

No Brasil, o comutador do Maverick é uma peça própria, não tem adaptação direta de outro carro nacional. Nos EUA, o mesmo comutador foi usado em outros carros da Ford, como Pinto, Bobcat e Comet, mas o encaixe do chicote e o comprimento da haste mudam. Por isso, confirme o código certo antes de importar um.

Instalando e regulando

Pra retirar, remova os parafusos que seguram a coluna, as capas plásticas, e abaixe a coluna pra ter acesso ao comutador. Antes de instalar um comutador novo, retire o pino de segurança que vem junto com a peça.

A posição do comutador na coluna é o ponto mais importante desse ajuste: marque a posição do comutador antigo antes de tirar ele. Se o novo ficar longe demais (do lado da parede corta-fogo), o carro pode pegar só de encostar na chave, e o arranque pode ficar ligado sem parar. Se ficar perto demais (do lado do volante), você vai precisar girar quase toda a chave pro carro pegar. O ideal é o motor pegar com a chave girada na metade do curso.

Evite pendurar muitos acessórios direto no fio principal do comutador (ar-condicionado, som, etc). Prefira cortar um pequeno pedaço do fio, soldar as conexões e isolar bem, em vez de usar vários terminais soltos, que dão mau contato e podem causar curto ou até começar um incêndio.

Depois de montar tudo, teste com o carro ligado antes de recolocar os parafusos da coluna e as capas plásticas de vez.

Fonte: dados públicos reunidos em fóruns e grupos de proprietários de Maverick.
Como trocar o rolamento da coluna de direção

Trepidação no volante, com barulho vindo da coluna de direção, geralmente indica que o rolamento da coluna está gasto. É um serviço mais trabalhoso de desmontar do que de fazer.

Passo a passo

  1. Remover o volante: retire o botão ou a capa da buzina e solte a porca central com uma chave soquete (geralmente cachimbo 24), sem bater forte. Se o volante não sair, um pouco de lubrificante ajuda.
  2. Remover a haste da chave de seta: desconecte o fio na base, puxe pra fora e desenrosque a haste, acompanhando o fio a cada volta pra não embananhar.
  3. Remover a chave de seta: solte os 3 parafusos, sem usar uma chave Phillips gasta (pode escapar e estragar a peça). Não precisa desconectar os fios, só afastar a chave de seta pro lado.
  4. Retirar a guia de contato da buzina: com cuidado pra não perder a peça, ela é essencial pra buzina funcionar.
  5. Retirar a trava do rolamento: use um alicate de bico apropriado, e um pouco de lubrificante entre o rolamento e o varão pra sair mais fácil.
  6. Montar o rolamento novo: passe bastante graxa de qualidade, e evite bater nas bordas do rolamento na hora de montar.

Esse rolamento é o mesmo do Corcel I, Del Rey e F1000 (marca W. Zanoni, borda ondulada, existe uma versão de borda lisa, mas essa não é a certa pro Maverick).

Antes de terminar, confira se os parafusos que prendem o flange superior da coluna estão bem apertados (folga aí é uma causa comum de folga geral na coluna), se os fios da buzina e da seta foram reconectados, e teste tudo antes de recolocar o volante de vez.
Fonte: dados públicos reunidos em fóruns e grupos de proprietários de Maverick.
Como reparar vazamento na "churrasqueira" (bocal de ventilação do capô)

A grade de ventilação na base do para-brisa, apelidada de "churrasqueira", é um dos lugares clássicos onde o Maverick vaza água. Com o tempo, folhas secas e poeira se juntam no fundo do bocal, viram uma massa molhada a cada lavagem e criam pontos de ferrugem, até a água começar a pingar no pé do motorista ou entrar por baixo do carpete, apodrecendo o assoalho.

Bocal de ventilação (churrasqueira) removido do carro, mostrando os pontos de desgaste comuns

Existem três formas de resolver, todas exigindo tirar o paralama pra ter acesso:

1. Recuperar a chapa da base e o bocal

É o reparo mais completo: use papelão pra fazer o molde da chapa da base e do bocal, passe o molde pra uma chapa galvanizada de mais ou menos 1,5mm, corte, ajuste o encaixe e solde no lugar da chapa estragada (de preferência por cima da chapa antiga, cortando só o que estiver realmente podre). Antes de fixar o bocal, vede bem as soldas do fundo, porque depois de soldado não dá mais pra fazer isso. Termine com um fundo anticorrosivo e um vedante automotivo (tipo KPO, achado em lojas de tinta automotiva) antes de pintar.

2. Eliminar a grelha

Uma forma mais simples: cortar toda a grelha de ventilação, acabar bem a chapa que ficou exposta, limpar bem a calha por dentro, e fechar a abertura soldando uma chapa nova, eliminando de vez a grelha (e o lugar onde a sujeira se acumulava). Bem feito, o resultado parece acabamento original.

3. Eliminar o bocal da base

Mantém a grelha visível por fora, mas elimina o bocal de escoamento na base, que costuma ser a parte mais estragada. Depois de proteger os frisos e a pintura ao redor, tira-se o paralama e a grade central, corta-se a lataria na região do bocal, limpa e conserta a ferrugem, e solda-se uma chapa de vedação (1,5 a 2mm) por dentro, terminando com fibra de vidro ou massa plástica.

Em qualquer uma das três opções: desligue a bateria antes de começar, proteja a lataria ao redor da área de solda, solde devagar e em pontos espaçados (pra não empenar ou furar a chapa), e mantenha um extintor de incêndio por perto.
Fonte: dados públicos reunidos em fóruns e grupos de proprietários de Maverick.
Como rebaixar o Maverick sem cortar as molas

Traseira

Uma forma de rebaixar a traseira sem cortar, arquear ou tirar as molas é usar o calço do caminhão Mercedes-Benz 608. Ele tem um pino de um lado (que apoia no diferencial) e um furo do outro (que recebe o pino do feixe de molas). Se não achar o calço pronto, dá pra fabricar um com uma barra de ferro, respeitando a largura do feixe e a distância entre os grampos.

Como o diferencial do Maverick fica apoiado sobre o feixe de molas, o calço levanta o diferencial e mantém as molas no mesmo lugar. O resultado final, com o carro no chão, é um carro rebaixado (uns 2 a 3 cm). Como não corta nem arqueia nada, dá pra tirar o calço a qualquer momento sem estragar o feixe original.

Junto com o calço, é preciso trocar os grampos do feixe por uns mais altos (os da F4000 costumam servir, mas geralmente são mais grossos que os originais, então precisa alargar um pouco os furos do jumelo).

Dianteira

Não desmonte a suspensão dianteira sem antes ter um jogo de molas reserva à mão: molas de reposição para o Maverick, principalmente do 6cc, são difíceis de achar no mercado.

Quando não se acha a mola original do 6cc, uma alternativa é usar a mola do V8, cortando duas voltas dela pra chegar no rebaixamento desejado. Amortecedores de Opala, mais baratos, também costumam ser usados no lugar dos originais nesse tipo de adaptação.

Fonte: dados públicos reunidos em fóruns e grupos de proprietários de Maverick.
Como preparar o motor V8 para mais desempenho

O V8 302 do Maverick é um motor robusto e aceita bem preparação, sem precisar reforçar a estrutura pra níveis leves e médios de potência. Alguns caminhos possíveis, do mais simples ao mais radical:

Preparo básico (foco em economia)

Muda só a carburação e a ignição (carburador de 4 bocas com secundário a vácuo e um distribuidor melhor), sem mexer no diferencial. O ganho de desempenho é quase zero, mas o consumo melhora pra algo como 8,5 km/l na estrada.

Preparo médio (uso na rua)

Subir a taxa de compressão original (que é baixa, 7,5:1, pensada pra gasolina dos anos 1970) pra algo entre 8,5:1 e 9,5:1 já traz ganhos reais de torque, potência e até de consumo com a gasolina de hoje, sem risco grande pro motor. Trocar o comando de válvulas por um mais "bravo" (entre 275° e 290° de duração), junto com um carburador quadrijet de maior vazão (600 a 650 CFM) e um coletor de admissão compatível, melhora bastante a resposta em qualquer rotação.

OriginalComando 275°Comando 290°
Potência máxima135 cv*214 cv*257 cv*
Rotação de potência máxima4.600 rpm5.800 rpm6.350 rpm
Velocidade máxima180 km/h210 km/h223 km/h
0 a 100 km/h11,2 s7,1 s5,9 s
Torque máximo26,8 mkgf*25,2 mkgf*25,5 mkgf*

* Estes valores são de potência líquida (motor completo, com todos os acessórios). Os 199 cv e 39,5 mkgf informados originalmente pela Ford eram medidos como potência bruta (motor nu, sem acessórios nem escapamento completo), prática comum na época, por isso os números parecem bem diferentes.

Um preparo nesse nível geralmente não precisa de peças forjadas, porque o motor de fábrica aguenta bem esse ganho. Mesmo assim, revise bem os freios e a suspensão, e use pneus com índice de velocidade compatível (H ou V) antes de rodar com o carro preparado.

Preparo avançado (alta performance)

Pra arrancada e pista, os preparos mais radicais incluem: pistões forjados (com mais folga no cilindro por causa da dilatação), virabrequim retificado e balanceado, bielas e parafusos de biela reforçados, cabeçote retrabalhado (principalmente nos dutos de escape, um ponto que trava um pouco o 302), comando mecânico esportivo (entre 290° e 300°), carburador Holley de 650 CFM, ignição eletrônica de alta performance, escapamento com saída dupla, e radiador de 3 ou 4 carreiras (essencial, já que taxas de compressão mais altas esquentam mais o motor). Nesse nível, também vale considerar trocar o câmbio original por um de 5 marchas (veja a página de Motores e Câmbio), e reforçar freios e suspensão deixa de ser opcional.

Preparar motor é uma área onde erro sai caro. Trabalhos de cabeçote, retífica e balanceamento devem ser feitos por oficinas especializadas em preparação, não por qualquer mecânico.
Fonte: dados públicos reunidos em fóruns e grupos de proprietários de Maverick.